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DESERTIFICAÇÃO: CAUSAS E CONSEQUENCIAS NO AMBIENTE E A 

30 de Abril de 2010
 

ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS

E-mail: ziporamorgana@hotmail.com

 

CLARICE FIEIRA

KELI ANDRESSA BATISTA

 

RESUMO

O tema desertificação vem sendo estudado nos últimos anos por tratar-se de um problema mundial que traz prejuízo tanto ao ambiente quanto ao homem que dele vive e que é diretamente atingido pelo problema, deste modo considerando que o homem depende do meio, a desertificação de áreas torna-se a desertificação também da vida humana e o homem aparece como agente causador e também como aquele que sofre as conseqüências. O processo de desertificação é desencadeado por agentes naturais e acelerado pela ação dohomem que descaracteriza o meio para fins econômicos como agricultura, pecuária e mineração que acabam agravando o problema.

 

1. INTRODUÇÃO

Buscamos no presente trabalho tratar de forma breve da questão da desertificação considerando suas causas e conseqüências e ainda considerando a relação estabelecida entre este processo e a ação antrópica nas diversas áreas principalmente nas praticas agrícolas.

Procuramos demonstrar como a ação do homem influencia no processo acelerando este através da facilitação da ação natural tanto eólica, quanto hidráulica e ainda biológica possibilitando que ocorra em grandes áreas e prejudicando o ecossistema e mesmo a produtividade local.

Ressaltamos que a ação antrópica está diretamente relacionada com o processo de desertificação que é muitas vezes provocada por sistemas produtivos mal concebidos e não planejados que não consideram os impactos ambientais e assim não prevêem as conseqüências que podem provocar ao ambiente em questão e que algumas vezes são irreversíveis ou a reversão é demasiadamente cara tornando inviável a implantação de projetos para reversão de impactos.

 

2. DESERTIFICAÇÃO: UM BREVE DEBRUÇAR SOBRE SUAS CAUSAS E CONSEQUENCIAS NO AMBIENTE E NA RELAÇÃO HOMEM E MEIO

A desertificação, preliminarmente, pode ser considerada como um conjunto de fenômenos que levam determinadas áreas a se transformarem em desertos ou a eles se assemelharem. Pode, portanto, resultar de mudanças climáticas determinadas por causas naturais ou pela pressão das atividades humanas sobre ecossistemas frágeis, neste caso, as periferias dos desertos ou as áreas transicionais são as que possuem maior de degradação generalizada

em virtude de seu equilíbrio ambiental bastante precário, e pode ser desencadeado naturalmente ou por ação antrópica. No processo dedesertificação a quantidade de vegetação diminui ou é extinta totalmente através do desmatamento o que gera ao solo a perda de suas propriedades, tornando-se infértil. Portanto os solos caracterizam-se por serem pouco profundos, e possuírem deficiência hídrica e ainda tem tendência em concentrar sais devido à drenagem ineficaz.

No âmbito biológico destaca-se o maio ou menor vigor da biosfera, a incidência ou não de organismos vivos principalmente vegetais indica se o ambiente é deserto e o agravamento desta deficiência corresponde então ao processo de desertificação. Este processo seria gerado deste modo por uma reação em cadeia considerando a mineralização do solo, a invasão pela areia, erosão e degradação do ambiente de modo geral, a desertificação biológica ocorreria quando os ecossistemas perdessem a capacidade de regeneração, com rarefação da fauna e redução da superfície coberta por vegetação, seguidas de empobrecimento dos solos e salinização. A erosão eólica ganharia importância no conjunto dos processos naturais. A ação antrópica estaria na origem dessa modalidade de desertificação, com a retirada predatória e, em grande escala, dos recursos. O processo pode ser agravado se coincidir com a ocorrência de estiagens severas e frequentes, resultando numa drástica redução do estoque hídrico.

A desertificação pode ser percebida no desgaste dos solos, dos recursos hídricos, da biodiversidade, e da própria qualidade de vida e manifesta-se, nas regiões áridas e semi-áridas. Na ocorrência do processo de desertificação, constata-se uma concentração de pobreza e miséria. Esse ciclo pode ser observado através do afloramento rochoso onde antes havia solo, do aparecimento de ravinas e voçorocas, e da salinização do solo.

Considerado um problema global, pois afeta mais de 100 países no mundo As regiões de terras secas, ocupam mais de 37% da superfície do planeta, abrigando 1/6 da população mundial, com indicadores de baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade. Mas este processo ocorre em cada lugar de formas específicas e apresenta dinâmicas influenciadas por cada região.

 

2.1 POSSÍVEIS CAUSAS DA DESERTIFICAÇÃO

As causas mais frequentes da desertificação vêm associadas ao manejo inadequado do solo e da água no desenvolver de atividades agropecuárias,  mineração, irrigação mal planejada e desmatamento indiscriminado. Além de comprometer a biodiversidade, o desmatamento, faz com que os solos fiquem expostos à erosão, este processo é proveniente de atividades econômicas agrícolas, pecuárias e pastoris e ainda uso de madeira como fonte de energia.

As ações antrópicas também são responsáveis pela aceleração da degradação por meio de erosões causadas pelos ventos e pela água que agilizam a degradação. Na maioria das vezes este processo é irreversível em áreas já desertificadas.

A ação antrópica gera principalmente a erosão laminar através da destruição da cobertura vegetal que se agrava com as alterações nos índices pluviométricos criando condições materiais para o desenvolvimento dos processos de desertificação. Além disso as variações climáticas também são apontadas como causas de tal processo.

De um modo geral, a desertificação é proveniente da modificação de algumas características ambientais, como a formação de dunas e mantos de areia, a destruição de campos de pastagens, a erosão dos solos, o encharcamento de áreas e salinização de terras irrigadas, extinção da fauna e flora e redução de recursos hídricos (VASCONCELOS SOBRINHO, 1978,

DREGNE, 1987, CNUMAD, 1997, MOUAT et al, 1997, CONTI, 1998 e RODRIGUES, 2000, BRASIL/MMA, 2004 apud Nolêto 2005).

 

2.2 CONSEQÜÊNCIAS DA DESERTIFICAÇÃO

A desertificação é um problema antrópico, deste modo, afeta o homem de forma direta. Os efeitos se manifestam no êxodo massivo de populações assoladas pelas crises causadas pela seca. Os impactos ocasionados pela agricultura de sequeiro afetam o rendimento mesmo nos anos de regime apropriado de chuvas. Verifica-se no setor agrícola o comprometimento da produtividade, além do prejuízo causado pela quebra de safra gerando um déficit na produção existindo um alto custo na recuperação das áreas afetadas

bem como na recuperação de espécies nativas.

A população migra para centros urbanos em busca de condições favoráveis a sobrevivência esses imigrantes tendem a agravar os problemas de transporte, aumento nos níveis de desemprego e violência urbana saneamento e abastecimento já existentes nesses centros. Alguns problemas sociais também são detectados como aumento da desnutrição, falência econômica, baixo nível educacional, concentração de renda e poder o que dificulta a inserção em uma economia moderna e globalizada. Ocorre também uma elevação na temperatura global, e uma conseqüente diminuição da umidade relativa do ar, expondo o ser humano a doenças respiratórias.

 

2.3 DESERTIFICAÇÃO NO MUNDO

As áreas com maior índice de desertificação são o oeste da América do Sul, o nordeste do Brasil, o norte e o sul da África, o Oriente Médio, a Ásia Central, o noroeste da China, a Austrália e o sudoeste dos Estados Unidos.

Estes problemas chamaram a atenção pública mundial e da Organização das Nações Unidas – ONU, a qual em 1977 convocou a primeira conferência sobre desertificação, passando o processo a ser fortemente debatido como um sério problema ambiental de conseqüências humanas, sociais e econômicas (DREGNE, 1987 apud NOLÊTO 2005).

Um exemplo disso é o caso do Mar de Aral, entre os países de Cazaquistão e o Uzbequistão no interior da Ásia central. Considerado um dos maiores desastres ambientais do século XX, onde ocorre um processo de desertificação por salinização, onde o recuo do mar é verificado e deve-se ao uso irracional de seus recursos hídricos para projetos de irrigação mal sucedidos e sem análises prévias de possíveis impactos ambientais.

Segundo a Convenção Mundial de Luta Contra a Desertificação, no Brasil, as áreas que podem vir a ocorrer os processos de desertificação são as que apresentam características áridas, semi-áridas e sub-úmidas seco, que se encontram normalmente na Região Nordeste, aparecendo casos também na região Sudoeste, Sul e Norte do país, com destaques nos estados de Pernambuco, Piauí, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Amazônia.

A região sudoeste do estado do Rio Grande do Sul com destaque aos municípios de Alegrete, São Francisco de Assis, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Uruguaiana, Quaraí, Santiago e Cacequí são atingidos pela desertificação e sofrem com os processos erosivos desde 2003, provocados pela atividade agropecuária extensiva. O solo desta região possui

características arenosas, sendo de fácil fragmentação, após a retirada da cobertura original, para se produzir outras espécies, como a monocultura, ou ate mesmo plantação de pastagens e atividades agropastoris, o solo passa por ações erosivas eólicas e pluviais. As enxurradas aceleram o processo, provocando intensas erosões e voçorocas, e o vento é responsável pela formação de dunas aumentando assim a desertificação.

Atualmente as manchas atingem cerca de quatro mil hectares. O governo já chegou a decretar estado de calamidade pública devido à aceleração dos processos de arenação ocasionados por ações antrópicas em março de 2005. A ONU indicou como a principal conseqüência da desertificação dos pampas que ele não atinge somente o meio ambiente, mas afeta toda a esfera econômica da região, também consta uma segunda conseqüência que é o não aproveitamento de vastas áreas de terra (cerca de seis milhões de hectares já atingidos pela desertificação) além da recuperação dessas áreas possuir um custo muito elevado, de aproximadamente dez milhões de dólares ao ano.

Entre os processos que visam à recuperação de áreas desertificadas podemos destacar o uso de técnicas de irrigação tradicionais que são normalmente utilizadas para fins agrícolas, onde se pode utilizar água de lençóis subterrâneos, cursos hídricos, por meio de diques ou mesmo represas e ainda a irrigação moderna que utiliza poços artesianos, submersão, por infiltração através de barragens reservatórios. Podem ser utilizados ainda a fixação de dunas e areias moveis processo que consiste em desviar o transporte de sedimentos e através de técnicas de irrigação e processos biológicos estabilizar o ecossistema atingido levando a uma recuperação gradativa do local. Entretanto há que se considerar o alto custo de implantação

e manutenção no que diz respeito a grandes áreas atingidas que torna o processo de recuperação economicamente inviável.

 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o desenvolvimento deste trabalho foi possível analisar os mecanismos da desertificação no âmbito ecológico, social e econômico.

Verificando-se que o principal agente causador deste processo também se torna o primeiro a ser atingido por suas conseqüências, já que este é dependente dos recursos naturais.

Através de técnicas mal sucedidas na agricultura, atividades pastoris, irrigações, destruições da cobertura vegetal sem um devido manejo posterior, usos indevidos de recursos hídricos, dentre outros, é que o homem acaba degradando o solo, provocando uma perca das suas características naturais levando a sua fragmentação e posterior desertificação. A desertificação é um problema que além de complicar a vida de milhares de agricultores, ela afeta a população como um todo, pois a base de um desenvolvimento social e econômico é a agricultura, e se as terras a serem cultiváveis estão se tornando escassas por destruições como a desertificação, a agricultura decai, prejudicando toda a sociedade.

As causas nem sempre são antrópicas, temos a interferências ambientais também, como desertificação por influências pluviais e eólicas, que por ação destas em terras com pouca cobertura vegetal acabam fragmentando o solo, levando a arenaçao e desertificação, porem na maioria das vezes é o homem o grande causador do problema.

 

 

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAUJO, Gustavo Henrique de Sousa; ALMEIDA, Josimar Ribeiro de;

GUERRA, Antônio José Teixeira. Gestão Ambiental de Áreas Degradadas.

Bertrand Brasil. Rio de Janeiro RJ: 2005

CONTI, José Bueno. O conceito de desertificação. Climatologia e Estudos da

Paisagem Rio Claro – Vol.3 – n.2 – julho/dezembro/2008, p. 44

GUERRA, Antônio José Teixeira; CUNHA, Sandra Baptista da. Geomorfologia

e Meio Ambiente. Bertrand Brasil 4a ed. Rio de Janeiro – RJ, 2003.

HARE, F. Kenneth; WARREN, Andrew; MAIZELS, Judith K; KATES, R.W;

JOHNSON, D. L; HARING, K. Johnson; GARDUÑO, Manoel Anaya.

Desertificação: causas e consequências. Fundação Lacouste Gulbenkian.

Lisboa: 1992.

MORAIS, Ione Rodrigues Diniz; CASTRO, Vera Lúcia Lopes de. Mudanças

Climáticas e Desertificação. III Conferência Nacional do Meio Ambiente.

NOLÊTO Tânia Maria Serra de Jesus. Suscetibilidade geoambiental das terras

secas a microrregião de Sobral CE e a desertificação. Dissertação (Mestrado).– Universidade Federal do Ceará. Fortaleza: 2005

 

 
 
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